quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Perfeccionismo

Por Salomão Sarmento
RESUMO DO CAPÍTULO: EU COSTUMAVA SER PERFEITO - AUTOR: GEORGE R. KNIGHT, Ed.D
REVISTA PAROUSIA ANO 7 – N. 1

O autor declara que ele foi um perfeccionista e que o era porque queria a fé da transladação, queria o caráter da transladação e queria a perfeição da transladação. Por isso ele fez um compromisso de ser o primeiro cristão perfeito desde Cristo.
Este resumo demonstra a incoerência da teoria perfeccionista, que enfatiza as realizações humanas em detrimento da graça divina. Ela baseia-se na interpretação equivocada de Apocalipse 12: 17 “O dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus” e 14: 12 “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus”, que caracterizam o povo de Deus no tempo do fim como aqueles que “guardam os mandamentos de Deus”.  O autor argumenta que, no conceito bíblico, a perfeição cristã consiste em amor altruísta e alegre relacionamento com Deus e o próximo. Pode-se observar a progressão: A mensagem do primeiro anjo “é chegada a hora do seu juízo”. (Apocalipse 14: 6 – 7). A mensagem do segundo anjo “caiu, caiu a grande Babilônia”. (Apocalipse 14: 8). E a decisiva terceira mensagem conta a adoração do poder da besta, especialmente o verso 12: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus”.
O texto de Apocalipse 14: 12 se tornou o texto chave dos adventistas do sétimo dia. Os adventistas se tornaram o povo “mandamento sob mandamento”. Pelo fato do texto poder ser traduzido como “fé de Jesus”, muitos adventistas têm a tendência de sugerir que o verso está dizendo que podemos ter fé exatamente da maneira como Jesus tinha fé. Assim podemos ser tão impecáveis como Ele era absolutamente impecável. O outro problema de interpretação está nos versos 3 a 5 que falam dos 144 mil que não se contaminaram; e eram sem mácula e sem mentira. E logo depois da terceira mensagem angélica há o retorno de Cristo para “ceifar” a terra. E Ellen White diz: “Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em seu povo, então virá para reclamá-los como seus”.
Baseando-se nestas passagens e texto é que alguns adventistas acham que estão encontrando a perfeição deixando de comer queijo, diminuindo a quantidade de lasanha por mês ou porque aboliu o açúcar da sua dieta. Geralmente as pessoas que lutam pelo perfeccionismo conseguem dizer o que está errado em quase tudo. E, o autor declara que em sua experiência de se tornar perfeito, encontrou um paradoxo da perfeição que era que quanto mais pensava acerca de si mesmo e sua perfeição, mais egocêntrico se tornava e quanto mais tentava e lutava; mais crítico se tornava para com os que não haviam alcançado o “alto nível” e, em seguida se tornou áspero com aqueles que não conseguiam se igualar em sua “condição superior” e mais negativo se tornava com os irmãos que não podiam ser “puros” ou “consagrados” como ele. E, portanto, se tornou uma pessoa de difícil convivência.
É evidente que não é esta vida que Deus deseja para os adventistas. O caminho para a perfeição não é este tipo de vida. Este caminho para a perfeição é o caminho da morte. É um caminho para a perfeição que é destrutivo e muitos adventistas têm seguido este caminho para supostamente reproduzir o caráter de Cristo. É a trilha errada. É a estrada artificial construída pelo homem. E “o coração do homem é enganoso”.
A passagem tirada do contexto vira um pretexto. É o que acontece com os adventistas perfeccionistas. A passagem de Parábolas de Jesus, sobre reproduzir perfeitamente o caráter de Cristo é um exemplo. O contexto desta passagem é o amor. O caráter de Cristo centraliza-se em compassivo relacionamento. Logo, cristianismo não é o que não fazemos. O cristianismo é positivo em vez de negativo. O verdadeiro cristianismo é uma religião que nos livra da preocupação com nós mesmos e a luta para ganhar a salvação de sorte que podemos amar verdadeiramente ao nosso próximo, ao nosso Deus, aos nossos irmãos, à nossa esposa, ao nosso esposo, aos nossos filhos e etc.
O autor menciona que em Mateus 5: 48 “Portanto, sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso pai que está nos céus”. Lendo o contexto, será entendido o que Jesus estava ensinando. No verso 43 ensina que Deus ama a todos. Ele faz com que a chuva caia e o sol brilhe sobre bons e maus, justos e injustos. Jesus está dizendo que devemos ser perfeitos ou maduros em amor aos outros como nosso “Pai celeste é perfeito” em seu amor por nós. O contexto neste verso é amar também os inimigos.
Além disso deve-se comparar Mateus 5: 48 com Lucas 6: 36. Lucas 6: 27 – 36 é uma passagem paralela a Mateus 5: 43 – 48. Ambas lidam com o amor aos inimigos, e ambas concluem com a declaração de que os cristãos devem ser semelhantes a Deus. Mas a passagem de Lucas não diz: “Portanto sede vós perfeitos”, mas “sede misericordiosos como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6: 36). Os evangelistas igualaram com misericórdia a afirmação de Cristo sobre perfeição.
Em Mateus 25: 31 – 46 há uma grande surpresa experimentada no juízo. Por um lado Jesus diz a um grupo: “Entrai em meu reino”. Segundo a parábola, eles dizem: Senhor, como fizemos isto? Não somos como aqueles fariseus. Não passamos toda a nossa vida preocupados com a multidão de faz e não faz. Jesus responde: “Vocês não compreendem. Quando estive faminto me alimentaram. Quando estive na prisão, vocês me visitaram. E quando estive sedento, me deram de beber”. Eles voltam a perguntar: Espere um minuto. Como pode ser isto? “Nunca te vimos ou alimentamos”. “Mas”, responde Jesus, “se vocês fizeram isso a um dos meus pequeninos irmãos, vocês fizeram a mim”. A esta altura o outro grupo está realmente se tornando agitado. Há um bom número de fariseus neste segundo grupo. Indivíduos que têm dedicado toda sua vida a observar a multidão de detalhes sobre a lei. “Espere um segundo, Senhor”, exclamaram eles, “guardamos o sábado. Realmente guardamos o sábado. Tínhamos umas 1.500 leis e normas e regulamentos concernentes ao sábado; pagamos o dízimo rigorosamente. E tínhamos uma boa dieta. Senhor, tens de salvar-nos. Nós merecemos isto”. “Bem”, responde, “há apenas um problema. Quando estive na prisão, vocês não pareciam se preocupar. Quando estive faminto, onde estavam vocês?” “Senhor”, eles responderam rapidamente, “se soubéssemos que eras tu, certamente teríamos estado lá”. “Mas, Jesus responde, “vocês não compreenderam. Não assimilaram o princípio do meu reino. Vocês não assimilaram o grande princípio do amor. E se vocês não amam, não serão felizes em meu reino”.
Depois de citar Mateus 25, Ellen White escreve em O Desejado de Todas as Nações: “... descreveu Cristo aos discípulos, no Monte das Oliveiras, as cenas do grande dia do juízo. E apresentou sua decisão como girando em torno de um ponto. Quando as nações se reunirem em torno dEle, não haverá senão duas classes, e seu destino eterno será determinado pelo que houverem feito ou negligenciado fazer por Ele na pessoa dos pobres e sofredores”.
Se as pessoas não estão transmitindo o amor de Deus ao seu próximo, é porque não o tem. Deus quer que todos os que estiverem no céu estejam felizes lá. E os que serão felizes são aqueles que renunciaram ao princípio do amor egoísta e auto-suficiência e permitem que Deus implante no coração e na vida o grande princípio de sua LEI. Santificação é meramente o processo de alguém tornar-se mais amoroso. Lembre-se: “Deus é amor”.  A demonstração final ao universo do que a graça pode fazer na vida humana será uma demonstração do poder de Deus em transformar indivíduos egoístas em pessoas que amam a Deus e à humanidade. A demonstração final não é alguém retratar uma pessoa que conseguiu a vitória sobre a pizza de quatro queijos, refrigerantes... A grande demonstração ao universo trata com a reprodução do caráter de Cristo.
João 13: 35 “Nisto conhecerão todos que são meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.
O autor foi feliz neste artigo. Fala com autoridade realmente de alguém que já viveu o perfeccionismo. O artigo foi lógico e sistemático, além de racional e emotivo. Ele, porém, no início, poderia fazer um suspense em relação à sua interpretação concernente ao contexto do texto bíblico, declarando que “a perfeição consiste em amor altruísta e alegre relacionamento com Deus e o próximo”. É provável que com essa informação no início do livro, um perfeccionista não se interesse em ler a continuação do artigo, já que ele deixa claro na introdução, que ele era um perfeccionista.

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